05 outubro 2006

A procriação

De início, viviam solitários. Como os restantes animais. Procriavam quando se encontravam, homens e mulheres. Os homens não sabiam qual o resultado do acasalamento. Apenas satisfaziam uma necessidade inerente à sua condição masculina. O mesmo acontecia com as mulheres, apesar de elas começarem a ter a percepção da consequência. Teriam de passar alguns anos a cuidar do criança resultante, caçando para ambos, protegendo o seu rebento. Não é por amor que cuida dele e o faz crescer, é por instinto. Alguns anos passados, ficariam sozinhas e recomeçariam tudo de novo. Até que o primeiro filho decidiu ficar junto da sua mãe, e juntos começaram a dividir tarefas. Ele caça, ela procura ervas que curam. E mais crianças nascem.

Por necessidade, homens e mulheres começam a viver juntos. As mulheres deixaram de caçar, proíbem os homens. Elas prometem ser mais capazes e uma ameaça para a masculinidade dos caçadores legítimos. A verdade é que, desde sempre, a mulher mostra mais aptidão para uma maior variedade de tarefas, enquanto os homens, condição inerente a si próprios, especializam-se em dois ou três afazeres. Por medo de serem suplantados, afastam-nas.

Em pouco tempo, uma mulher consegue ligar o facto de acasalar, com o nascimento dos bebés. Já possuem uma ligação forte com os seus filhos, apesar de lhes serem negados muitos direitos. Não são responsáveis pelos filhos homens. As meninas serão educadas para seguirem os seus passos. Desde que aprenderam a viver em conjunto, as mulheres perderam a liberdade que possuíam longe deles. Mas resignam-se, e não conhecem a experiência das que vieram antes. As lendas não falam de mulheres, mas de homens, dos seus feitos admiráveis.

Não contam aos homens que também são responsáveis pela geração de crianças. Sabem que tomarão posse delas e dos seus filhos, para poderem ter uma prole só sua. Elas, por medo, escondem que os homens têm um papel a desempenhar no crescimento do grupo. Uma mulher toma a decisão de associar a fertilidade e a prosperidade de todos à sua própria fertilidade. Um conto aqui, uma lenda ali e em menos de nada todos veneram a fertilidade feminina, e as mulheres ganham poder.